quinta-feira, 15 de julho de 2010

Capítulo XI

- COOOOOOOORRE!
Pét PUUUM!
O chapéu de Stumpff voou para tras.
Stumpff saltou das costas de Antenor, passou a mão por seu chapéu no chão
e saiu correndo.
Edvino e Antenor sairam levantando cascalho, sem entender nada.
Nem se deram ao trabalho de olhar para trás, só pulavam por entre
obstáculos cegos que apareciam.
- Volte aqui Stumpff! Volte! - disse uma voz vinda da varanda da casa.
Escutaram os cachorros vindo ao seu encontro.
Stumpff estava a umas 10 pernadas
na frente de Antenor e 13 na frente de Edvino. Cada vez abrindo maior
distância. Quando chegaram ao arroiozinho, viram Stumpff saltar os 4 m
de água num pulo só, segurando o chapéu com a mão e seu guarda-chuva na outra
pela metade do cabo.
Ali no arroio, os cachorros pararam de lhes perceguir, mas Stumpff
só parou de correr quando chegaram ou pé de goiaba, onde haviam deixado
os cavalos.
Stumpff tirou o chapéu e se sentou escorado na árvore, se derramando em suor.
Antenor e Edvino chegaram 2 min. depois.
- O que foi isso?
- Temos que ir logo! Senão logo vão nos encontrar.
PÓC...
- Eu vi, eu vi...
- Viu o que? Diz logo velho idiota! - disse Antenor por entre longos suspiros.
- Eu vi uma garrafa de wiski San Pablo, o mesmo de quem havia tomado no
bar.
- E como você sabe que quem tomou San Pablo é daqui? - perguntou Edvino.
- Eu vi uma garrafa na bolsa que estava pendurada no cavalo dos dois pestilentos
que queriam me pegar, quando eu estava na capunga - respondeu Stumpff. - e um
deles estava na casa e me viu.
Antenor e Edvino se entreolharam espantados.
- Não sei onde podemos nos esconder! Temos que achar um lugar logo.
Não temos tempo de chegar até em casa. - disse Stumpff.
- Vocês querem vir a minha casa? Hein? Podem vir, "Madame Formosa" nunca
me encontra lá. Hi hi hi!
Os três olharam para o alto da coxilha e lá, emponente e corgunda encima de seu burrico
estava o homem louco que eles haviam amarrado no pé de figueira.
Stumpff disse:
- Devido a esta situação de guerra, não temos outra alternativa soldados.
Para onde fica o seu forte camarada? Vamos, porque o que temos que fazer
agora é esperar a fumaça passar. Hé hé hé.
Lá no vale pode se ouvir um tiro forte, proveniente de uma arma de maior calibre.
- Eles vão ficar de tocaia daqui pra frente, - disse Stumpff olhando com pesar para
vale - e não vão olhar se é um cachorro ou um homem. Vamos.
- Ele fala coisas que eu não entendo as vezes - cochichou Antenor a Edvino.
- Eu também, mas ele sabe das coisas!
E seguiram o tal homem balbuciento.
Trotaram em potreiro limpo até chegarem a uma estrada. Por mais um pedaço e então entraram
em uma estradinha estreita, que mal se podia ver, ainda mais a noite. Estava quase toda
tomada de mato. E desciam, parecia que estavam em um mar de inço. Foi por um longo
período que andaram, sem dizer uma palavra até que viram, lá embaixo, uma cabana.
Desceram a estradinha em espiral e a cabana ficava exatamente no meio. Podia ouvir barulho
de água, provavelmente uma cascata e um barulho constante de maquinário.
- Um belo moinho! - disse Stumpff
- Brigado! - disse o tal homem.
- Mas me diga uma coisa - disse Stumpff quando descia de seu cavalo - como tu te chamas,
de verdade! - dando um soslaio.
- Bom, eu gosto muuuuito de brincá com as pessoas, hi hi hi. Mas todo mundo me chama de Buda.
- Porque Buda? - estava curioso o Antenor.
PÓC
- Quem faz as perguntas aqui sou eu - emperdigou-se Stumpff.
- Bom, é que quando eles ou seus filhos estão doentes, eles trazem aqui para mim
benzer.
- Hum, um curandeiro, muito bom ter um em nosso lado. - disse Stumpff mais para si
do que para os outros.
- Bom, onde podemos deixar os cavalos? - perguntou Edvino.
- Por aqui. Vamos levá eles pro moinho.
Deixaram seus cavalos amarrados na taquareira que ficava ao lado do moinho, e estavam
indo em direção a cabana. Stumpff deixou os outros irem mais para a frente e resolveu dar
uma olhada no moinho, tinha apresso por máquinas.
Abriu a grande porta de entrada e entrou. Deu uma olhada por dentro, estava cheia
de sacos de sementes, pipas empoeiradas e baus,deu a volta no moinho.
- Hum, parece que a tempos não é usada. - disse Stumpff.
Subiu ao segundo andar onde eram depositadas as sementes para moagem e quando estava
descendo e estava com o olhar na altura do chão viu de relance o começo de uma escadinha
atrás da grande pipa de sementes. Foi até lá, deu a volta na pipa e se deparou com uma
minúscula escadinha, que tinha os degraus muito estreitos. E ela era bem longa, terminando
em uma porta de ferro muito mais antiga que seu avô. Quando parou na frente dela...

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