... - É por isso que não pegam o miserável do ladrão.
Nem ao menos uma pulguenta de uma raposa, francamente Doutor!
- É que na verdade...
- Me diga uma coisa, - disse Stumpff ao Bastião, não dando bola ao que o Doutor iria dizer -
onde fica a capunga?
- No...no...nos fundos...! - respondeu o italiano, gaguejando de susto.
Stumpff passou o gancho de seu guarda chuva pelo pescoço de Bastião e o puxou para perto:
- Eu acharia conveniente você arrumar uma pistola, pra furar os miolos
de qualquer pestilento que apareça!
- Si...sim senhor!
Stumpff proseguiu até a porta, fechou um dos olhos, deu uma olhada
nos fundos dos olhos de Bastião e:
Pétt...BUUUMMM...
Voaram cacos do copo que estava ao lado de Bastião.
Bastião não se mecheu, apenas ficou branco como a neve que caia lá fora.
- Meu caro, eu não gosto do rum do norte.
- To...to...tomarei providencias.
Stumpff deu a volta no armazém e foi até a capunga.
Lá, pegou seu bloco de anotações, molhou a ponta da pena na lingua e escreveu:
*Homem, bigode, canto armazém
*Cavalos, rua, armazém
*Copo, wiski San Pablo
- Hé hé hé - Stumpff deu risadinhas satânicas, que fizeram sua longa barba balançar -
ninguém toma wiski San Pablo, é muito ruim, e aquele não era o meu copo!
E circulou esta última anotação.
Quando estava guardando suas anotações, pegou uma folha em branco e escreveu:
*baú, 22, Bastião
*ensinar, pestilento, pegar, arma
Quando guardou suas anotações no bolso interno do seu terno verde escuro e já ia saindo,
ouviu conversa do lado de fora da capunga.
- Temos que nos apresar, as coisas estão ficando complicadas.
- Sim, vamos a casa do "vovô" esta noite dar um jeito.
Stumpff olhou por entre uma fresta, os dois homens que conversavam
estavam agora subindo em seus cavalos, deram uma guinada, e se foram,
levantando tufos de neve.
Stumpff pegou novamente suas anotações e escreveu:
*Homem, bigode, canto armazém = mesmo, lado, capunga
*Cavalo, rua, armazém = Homem, bigode, canto armazém, mesmo, lado, capunga
*Outro homem pestilento, descobrir, nome
Então Stumpff saiu da capunga, e foi direto para a pensão da Dona Leopoldina,
deixando o Doutor esperando dentro do armazém.
Na casa de Edvino, a situação estava um pouco complicada.
- Deixa eu voltar lá e estourar as tripas daquele miserável!
- Calma mamãe, ele vai nos ajudar, pode ficar tranquila.
- Hum, eu ainda abro um buraco naquele pançudo!
- Tá certo mamãe, mas agora está na hora de lavar os pés e dormir.
- Não se pode lavar os pés depois que escurece, dá doença de lumbago,
foi por isso que sua tia Fridolina morreu. Ela lavou os pés depois que voltou de um baile,
no outro dia tava dura que nem o puxa-puxa do Fritz.
- Boa noite mamãe, benção!
- Deus te abençõe meu filho...
E Oma Augusta subiu as escadas, subindo ao sótão.
- Essa velha louca ainda vai deixar todo mundo que nem ela.- disse Antenor.
- Ah guri, vem aqui - disse Edvino, tirando a cinta - eu vou te ensinar a não falar
assim de sua avó...
Pét BUUUMMM!
- Ah, não. Mamãe de novo! - disse Edvino, assim como Aldo também ouviu e
começou a chorar.
A família inteira correu para fechar as janelas e portas, enquanto
ouviam Oma Augusta socar seu trabuco, recaregando-o.
Toc, toc toc.
- Mamãe, abra a porta.
- Pode deixar meu filho, hi hi hi, este frango é meu...
Pét BUUUUMMM!
Foi quando ouviram:
- Calma, calma... sou eu...
Edvino conseguiu arombar a porta de Oma Augusta e tirar o trabuco da mão dela:
Foi com cautela que espiou pela janela e viu...
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