quarta-feira, 21 de julho de 2010

Capítulo XIII

... subiu direto ao 3º andar.
De lá, abriu uma pequena janela em formato de alçapão. Ficou curioso, pois era uma janela
que só cabia sua cabeça, deu uma espiada e notou que dava diretamente para a entrada da
propriedade do curandeiro Buda. Mais uns três metros a sua direita havia mais um alçapão.
Abrio-o. Estava quente aquela noite. Dando mais uma volta pelo sotão, percebeu que havia
dois alçapões para cada lado do telhado. Abrio todos.
- Incrível como está ficando quente. - resmungou Stumpff, secando sua testa - ontem
ainda caiu neve!? - perguntou exclamando para si mesmo
Disse isso e deu uma olhada com seu olho bom ao redor. Pousou o olhar na mesa empoeirada
e viu que tinha uma lamparina pendurada bem em cima da mesa. Resolveu acendê-la para enchergar melhor.
Retirou do bolso interno de seu terno, uma caixinha de fósforos Santo Edmundo. Deu uma sacudida
na lamparina para verificar se ainda dispunha de querosene, e percebeu que ela estava cheia e pesada de
querosene. Girou o bastão para ficar visível a fita embaba em querosene. Riscou seu fósforo,
ergueu o vidro e acendeu, uma luzinha fraca se levantou sobre o recinto, pelo pouco que iluminou,
pode ver que todos os papéis que estavam na mesa, estão em branco. Sem nem um risquinho se quer.
Todos amarelos pelo tempo, mas sem nenhuma anotação como pode perceber de dia.
Dirigiu-se até a porta de ferro, como se simulasse a primeira vez que entrou lá e viu as anotações.
Se posicionou e nada. Nem um risco.
Na sua frente, em cima de uma espécie de suporte, estava uma garafa transparenten com
formato em espiral e com um líquido também transpatente.
- Hum, que sabe?! - Stumpff imaginava que podia ser uma bebida - Porque não?
Pegou a garafa e foi caminhando em direção a mesa, tirou a rolha muito gasta com um pouco de dificuldade.
- Mas que porcaria é isso aqui?! Bléck...! - disse Stumpff ao cheirar o líquido. - Isso parece
gambá morto. Deixe eu fechar isso antes que infecte tudo!
Quando Stumpff largou a garafa em cima da mesa e olhou indignado para os papéis.
- Isso tem que ter uma explicação!
Quando olhou novamente para a garafa, viu que o papel que ficou no fundo dela tinha anotações.
Tirou a garafa e as anotações sumiram. Colocou novamente e no fundo da garafa, voltaram as anotações.
Deslizou a garafa pelos papéis e por onde ela tocava as anotações apareciam e assim que saia de cima delas,
apagavam. Stumpff olhou então pela boca da garafa em direção ao fundo e viu todas as anotações, eram desenhos
e gráficos, cálculos... Pegou então uma pena e fez um risco por sobre uma folha, depois de quase um minuto ele
se apagou. Passou a garafa por cima dele e pode velo. Stumpff ficou muito intrigado com isso. Então a primeira
vez que havia entrado ali, ele havia olhado por entre a garafa. E por isso viu as anotações.
Mas o que poderia explicar isso? Como isso podia acontecer?
Seus pensamentos foram interrompidos por um vento muito forte que soprou por entre os oito
pequenos alçapões, fez a porta de ferro bater com tamanho força que alguns tijolos ao lado cairam no chão.
A lamparina se apagou, deixando Stumpff no completo escuro. Silêncio, Stumpff riscou mais um fosforo
e quis acender a lamparina, mas esta não mais acendeu!
Stumpff foi até a porta de ferro e tentou abri-la sem sucesso, bateu, socou, chutou e nada.
De repente...

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Capítulo Xll

...pegou na maçaneta e a abriu. Entrando lá Stumpff se encantou com o local. Era uma espécie de oficina mecânica. Tudo muito empoeirado. Havia tudo que ser precisava para trabalhar, marcenaria, ferraria tudo muito bem organizado, mas esquecido pelo tempo.
Era o sótão do moinho. Stumpff pode ver uma estante com livros muito antigos e uma mesa com papeis e varias anotações. Havia também um local com uma cama e velho baú de roupas.Em um canto Stumpff pode ver um enorme objeto estranho coberto por um pano de eira. Era algo maior que ele. Stumpff pegou a ponta do pano e num movimento único descobriu o objeto. E por seu espanto estava lá intacta uma linda máquina de voar. Um projeto um tanto audacioso para a época. Mas parecia que nunca havia sido usada.Stumpff pode observar que ela possuía um motor movido a vapor e que uma grande porta se abria no sótão em direção ao desfiladeiro ao lado do moinho. Provavelmente uma rampa de vôo. As idéias mexiam com sua cabeça.Stumpff a cobriu, fechou a porta e voltou para baixo. O velho curandeiro falou que o antigo dono do moinho havia sido queimado em uma fogueira por se considerado um bruxo. Falou que tudo que sabe aprendera com ele e que havia deixado o sótão do moinho intacto por ter grande prestigio ao velho dono. Falou também que estava esperando a pessoa certa para entregar e tomar conta daquele sótão. Naquele instante o olhinho de Stumpff brilhou como uma lamparina.
-Bom, vamos nos acomodar pois amanha temos um longo dia.
-Hé´he meu caro jovem lhe pediria a gentileza de passar a noite no moinho, com sua permissão, falou Stumpff
-A noite o espírito do velho dono sempre volta ao moinho, ouço daqui os bateres dos ferros em brasa. Ele fora tirado do mundo antes de terminar algo que começara.
-Se você conseguir passar uma noite no moinho amanha ele será seu.
Sem pesar duas vezes stumpff voltou para o moinho e os outros se acomodaram na tapera do curandeiro.
Voltando lá no no moinho, Stumpff...

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Capítulo XI

- COOOOOOOORRE!
Pét PUUUM!
O chapéu de Stumpff voou para tras.
Stumpff saltou das costas de Antenor, passou a mão por seu chapéu no chão
e saiu correndo.
Edvino e Antenor sairam levantando cascalho, sem entender nada.
Nem se deram ao trabalho de olhar para trás, só pulavam por entre
obstáculos cegos que apareciam.
- Volte aqui Stumpff! Volte! - disse uma voz vinda da varanda da casa.
Escutaram os cachorros vindo ao seu encontro.
Stumpff estava a umas 10 pernadas
na frente de Antenor e 13 na frente de Edvino. Cada vez abrindo maior
distância. Quando chegaram ao arroiozinho, viram Stumpff saltar os 4 m
de água num pulo só, segurando o chapéu com a mão e seu guarda-chuva na outra
pela metade do cabo.
Ali no arroio, os cachorros pararam de lhes perceguir, mas Stumpff
só parou de correr quando chegaram ou pé de goiaba, onde haviam deixado
os cavalos.
Stumpff tirou o chapéu e se sentou escorado na árvore, se derramando em suor.
Antenor e Edvino chegaram 2 min. depois.
- O que foi isso?
- Temos que ir logo! Senão logo vão nos encontrar.
PÓC...
- Eu vi, eu vi...
- Viu o que? Diz logo velho idiota! - disse Antenor por entre longos suspiros.
- Eu vi uma garrafa de wiski San Pablo, o mesmo de quem havia tomado no
bar.
- E como você sabe que quem tomou San Pablo é daqui? - perguntou Edvino.
- Eu vi uma garrafa na bolsa que estava pendurada no cavalo dos dois pestilentos
que queriam me pegar, quando eu estava na capunga - respondeu Stumpff. - e um
deles estava na casa e me viu.
Antenor e Edvino se entreolharam espantados.
- Não sei onde podemos nos esconder! Temos que achar um lugar logo.
Não temos tempo de chegar até em casa. - disse Stumpff.
- Vocês querem vir a minha casa? Hein? Podem vir, "Madame Formosa" nunca
me encontra lá. Hi hi hi!
Os três olharam para o alto da coxilha e lá, emponente e corgunda encima de seu burrico
estava o homem louco que eles haviam amarrado no pé de figueira.
Stumpff disse:
- Devido a esta situação de guerra, não temos outra alternativa soldados.
Para onde fica o seu forte camarada? Vamos, porque o que temos que fazer
agora é esperar a fumaça passar. Hé hé hé.
Lá no vale pode se ouvir um tiro forte, proveniente de uma arma de maior calibre.
- Eles vão ficar de tocaia daqui pra frente, - disse Stumpff olhando com pesar para
vale - e não vão olhar se é um cachorro ou um homem. Vamos.
- Ele fala coisas que eu não entendo as vezes - cochichou Antenor a Edvino.
- Eu também, mas ele sabe das coisas!
E seguiram o tal homem balbuciento.
Trotaram em potreiro limpo até chegarem a uma estrada. Por mais um pedaço e então entraram
em uma estradinha estreita, que mal se podia ver, ainda mais a noite. Estava quase toda
tomada de mato. E desciam, parecia que estavam em um mar de inço. Foi por um longo
período que andaram, sem dizer uma palavra até que viram, lá embaixo, uma cabana.
Desceram a estradinha em espiral e a cabana ficava exatamente no meio. Podia ouvir barulho
de água, provavelmente uma cascata e um barulho constante de maquinário.
- Um belo moinho! - disse Stumpff
- Brigado! - disse o tal homem.
- Mas me diga uma coisa - disse Stumpff quando descia de seu cavalo - como tu te chamas,
de verdade! - dando um soslaio.
- Bom, eu gosto muuuuito de brincá com as pessoas, hi hi hi. Mas todo mundo me chama de Buda.
- Porque Buda? - estava curioso o Antenor.
PÓC
- Quem faz as perguntas aqui sou eu - emperdigou-se Stumpff.
- Bom, é que quando eles ou seus filhos estão doentes, eles trazem aqui para mim
benzer.
- Hum, um curandeiro, muito bom ter um em nosso lado. - disse Stumpff mais para si
do que para os outros.
- Bom, onde podemos deixar os cavalos? - perguntou Edvino.
- Por aqui. Vamos levá eles pro moinho.
Deixaram seus cavalos amarrados na taquareira que ficava ao lado do moinho, e estavam
indo em direção a cabana. Stumpff deixou os outros irem mais para a frente e resolveu dar
uma olhada no moinho, tinha apresso por máquinas.
Abriu a grande porta de entrada e entrou. Deu uma olhada por dentro, estava cheia
de sacos de sementes, pipas empoeiradas e baus,deu a volta no moinho.
- Hum, parece que a tempos não é usada. - disse Stumpff.
Subiu ao segundo andar onde eram depositadas as sementes para moagem e quando estava
descendo e estava com o olhar na altura do chão viu de relance o começo de uma escadinha
atrás da grande pipa de sementes. Foi até lá, deu a volta na pipa e se deparou com uma
minúscula escadinha, que tinha os degraus muito estreitos. E ela era bem longa, terminando
em uma porta de ferro muito mais antiga que seu avô. Quando parou na frente dela...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Capítulo X

...Stumpff.
-Stumpff sou eu pestilento.
-Não eu Stumpff
-Coy sarnento.
-Coy não. Stumpff.
-Ei quietos.Stumpff veja la na frente. Disse Edvino.
-Sim, é a casa do meu amigo.
-Cale a boca arruaceiro! Vamos amarrar ele na árvore e soltamos na volta.
-Antenor amarre um trapo na boca do pestilento por prevenção.
-Pestilento não. Stumpff.
-Santa paciência.
Antenor amarou o homem no tronco da figueira e o amordaçou. Adiante já podiam ver os lampiões na casa do coronel.
-Pronto disse Antenor, vamos lá e saiu caminhando em direção a casa do coronel.
Stumpff esticou seu guarda chuva e o engatou no pé de Antenor dando-lhe um tombo.
-Ei Stumpff!!!
POC... POC... POC...
-Ai!!!
-Esta querendo por tudo a perder soldado!
-Nenhum Coronel mora numa baixada dessas tem ter uns bons cães de guarda!!.
-E o que vamos fazer, Perguntou Edvino
-Uuuuu... AAAuuuuuuu...Auuuuu uivava Stumpff.
-O que se ta fazendo velho, disse Antenor!!
-Uuuuu... AAAuuuuuuu...
Au Au Au
-Pronto Velho, agora toda cachorada do Coronel ouviu agente.
-hé he he hhééé riu Stumpff, tirando um embrulho de papel de dentro do terno
-Essé é o propósito moleque.
-O que é isso agora? Indagou Antenor
-Veja Gurri, de uma cheiradinha
-O que é isso? Torresmo?
-Não moleque he he héée. È um belo charque gordo do oeste.
Vou pendura-lo aqui com este barbante pra cachorrada se enterter.. he he he hééé -Uuuuu... AAAuuuuuuu...
Au Au Au...
-Vamos depressa que os cachorros estão chegando...
E lá se foram eles, mas Stumpff correu um pedaço e voltou.
- Que foi agora velho?
-Não posso desperdiçar todo este belo charque salgado do oeste...
Stumpff tirou do seu bolso um canivete e cortou uma lasquinha e saiu correndo e mastigando.
-Hé he he hééé, agora podemos ir
Os cães ficaram entertidos com o charque pendurado, tentando aos pulos alcança-lo.
Stumpff, Edvino e Antenor chegaram pelos fundos da grande casa branca do coronel, quando Stumpff mascando a lasca de charque disse
-Se abaixem ai, vou subir nas costas de vocês e ver o que consigo ver pela janela.
Edvino ficou de quatro no chão enquanto Antenor disse
-Nem pensar
PÓc
-Autchh
-Antenor então se abaixou e Stumpff subiu nas costas deles.
-E i velho cuidado ai, ai! já pensou em trocar o salto da bota??
PÓc
Stumpff se esticou e olhou para dentro da janela da casa grande quando arregalou os olhos abriu a boca suspirou que até o pedacinho de charque mascado caira na orelha de Antenor.
-O que foi, o que foi perguntava impaciente Antenor...
Stumpff respodeu...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Capítulo IX

... aconteciam coisas estranhas. A começar pelo próprio
Coronel Sampaio, que era conhecido pelas suas atitudes
estranhas. Tinha atitudes imediatas. Dizem que seus
empregados também são estranhos.
Como Stumpff pode observar naquela noite.

- Bom, obrigado Otto. Não quer entrar e tomar um chimarrão?
- Bom, eu estou com pressa, pois tenho que carregar de lenha e água a
locomotiva. Tenho uma viagem amanhã para a Cidade Grande. Mas para
não fazer disfeita, eu aceito um.
- Então vamos entrando...
Otto estava tirando sua bota para entrar, se equilibrando somente
na muleta, quando levou um tombo devido ao susto...
Pét BUUUUMMM...
Edvino olhou para Otto e com um sorriso disse:
- Temos visitas!
Viram então o velho Stumpff correndo para onde eles estavam, segurando
seu chapéu, com um baita furo de baletão na ponta, com uma das mãos e
com a outra seu guarda-chuva. Sua barba estava pendurada para tras de
seu ombro devido ao vento da corrida.
- Boa noite! Hé hé hé! Será que eu posso passar a noite aqui?
Acho que tem alguns fedorrentos, pestilentos atrás de mim.
- Claro Sr. Stumpff, pedirei para Paulina lhe arrumar um quarto.
Vamos estrando, estou fazendo um chimarrão agora!
Nisso escutaram Oma Augusta descendo as escadas e vindo no corredor
em direção a eles.
- Pode ficar tranquila mamãe...
Oma Augusta encostou o cano de seu trabuco no queixo de Stumpff e disse:
- Quem você pensa que é invadindo minha propriedade? Velho fedorento.
- O prazer é todo meu! - disse Stumpff dando uma piscadinha.
- Eu vou te ensinar a me respeitar velho sem vergonha...
Oma Augusta deu tamanho tapão na nuca de Stumpff que fez ele cair de joelhos.
E todos viram uma coisa sair rolando pelo chão, em direção ao fogão a lenha.
Nisso veio um filhotinho de gato, querendo brincar com a "bolinha". Stumpff teu um chute
no gatinho, que voou na parede e disse:
- Larga meu olho seu sarnento.
Stumpff pegou do chão seu olho de vidro, deu uma esfregada no terno
e recolocou-o no devido lugar.
- Velho caduco, hi hi hi hi...
Oma Augusta deu uma risadinha e se foi para o sótão.
Ninguém teve coragem de lhe dizer que agora ele estava vesgo.
- Um pestilento dos Coys me acertou com uma garrafa em uma conversinha que
tivemos, hé hé hé, e furou meu esquerdo!

Otto agradeceu o chimarrão e se foi, tomando cuidado com Oma Augusta.
Stumpff disse a Edvino que gostaria de dar uma volta pelos aredores da
Fazenda do Passo Largo, para "mode de ver o que se passa por lá a noite".
Edvino concordou prontamente, só pedindo que gostaria de ir "prevenido"
- Porque aqueles aredores sempre nos dão surpresas. - disse Edvino.
- Posso ir junto pai? - perguntou Antenor.
- Você vai ficar aqui em casa guri, ainda é muito novo! - respondeu Paulina por Edvino.
Edvino só deu um sorriso para Antenor e esfregou seus cabelos.
- Da proxima vez - cochichou Edvino.
Alvício fora arrumar os cavalos para ele, Edvino e o Sr. Stumpff.
Edvino havia pegado sua escopeta moicana, Antenor sua espingarda
e Stumpff recusara qualquer arma, disse que estava mais do que
prevenido.
E se foram pela estradinha escura banhada a luar.
Quando já estavam na coxilha do Passo Largo, deixaram seus cavalos
amarrados em um pé de goiaba e prosseguiram a pé.
Quando atravessaram um arroiozinho, Edvino e Antenor prepararam as armas,
- E o senhor? Não vai carregar a sua? - disse Antenor a Stumpff.
Antenor viu a lua brilhar em seu olho de vidro quando este olhou para ele.
- Pensa que sou amador como você muleque - disse Stumpff quase num susurro.
Antenor só abaixou a cabeça e terminou de carregar sua espingarda.
- Daqui pra frente - disse Edvino - são terras do Coronel Sampaio, então cuidado.
Nunca vim pra estes lados e não sei o que pode ter pela frente.
Nisso o vento parou e Stumpff deu sua risadinha satânica.
- Hé hé hé, mais conveniente para escutar passos inimigos, e vocês dois,
fiquem atras de mim e façam tudo o que eu disser.
- Tudo bem - disse Edvino dando uma olhada para Antenor.
- Me acompanhem...
Proseguiram por entre a mata chegando a um milharau.
PÓC...
Stumpff havia batido seu guarda-chuva na cabeça de Antenor.
- Abaixe esta cabeça muleque, quer que nos vejam?
- Mas só tem milho aqui!
PÓC...
E se abaixou.
Depois de algum tempo de caminhada no milharal, observaram que chegaram
em um pomar.
- Ótimo, a casa não deve ser muito longe - disse Edvino.
-Xíííííííí. Fiquem quietos.
- Por que? - perguntou Antenor
PÓC...
- Não estão sentindo cheiro de fumo? - cochichou Stumpff irritado.
- O que? - Antenor não entendia.
- Palheiro!
- Hum, é verdade!

- Vocês são amigos do Juca?
Todos gelaram a espinha.
- Vocês são amiguinhos do Juquinha? Eu sou amigo do Juquinha, hi hi hi...
- Quem é este louco - indagou Antenor.
PÓC...
- Ai, esta doeu!
Olharam para cima e os galhos de uma figueira enorme estavam se mechendo,
de repente pulou de lá um homem negro, de barba iregular, os dentes que lhe
sobravam eram de um amarelo intenso, ele mais balbuciava que falava.

- Identifique-se coiote - disse Stumpff lhe apontando uma arma menor que sua mão.
- Hi hi hi, eu gosto de brincar - disse o tal homem - Pum, Pum, Pum... - apontando
a mão em formato de arma para Stumpff.
- Identifique-se ou atiro, seu miserável.
- Meu nome é...

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Cápitulo Vlll

um homem de chapéu largo e vestindo uma grande capa preta ele estava cercado pelos cães de Edvino.
-Calma é o Otto gritou ele
-Rápido retrucou Oma Augusta, o pestilento esta armado
-Calma mamãe não é nenhum bandido é Otto, e ele não esta armado, é a sua bengala.
-Vá dormir mamãe e se aquiete.
-Eu durmo, mas só se devolver meu trabuco.Depois que seu pai se foi só me restou ele para me proteger.
Contra vontade edvino devolveu o trabuco a Augusta.
Edvino fora ao encontro de Otto retrucou a cachorrada e pedira desculpas.
-E não e todo dia que alguém nos recebe a balas!!!hehe
-Pois é você conhece mamãe.
-Que belos cães você tem. Falou Otto.
-Sim a poucos dias não prestavam pra caçar um rato, mas Alvisio e Antenor os levaram pra caça. Me surpreendi ficaram tão bons que conseguem até escapar dos tiros da mamãe.
-Turco vem cá!!!
Hoje a pouco trouxeram um ouriço morto.
Veja tivemos que arrancar este monte de espinhos das fuça dele com uma torquez.Os meninos os treinaram na caça a lebres.Vem aqui Turco!! Retrucou novamente Edvino.
Veja Otto como ficou a cara dele tive de fazer oito pontos.
-Puxa o que aconteceu?
-Hoje dei uma caminhada com eles no cerro.Pegaram logo o rastro e ficaram atiçados. Tinha levado a escopeta moicana do pai.
-Há aquela cano longo
-sim foi o pai dele quem a fabricou. Ela tem minha altura um metro e setenta e dois
-Lembro quanto seu pai falava que quanto mais longo o cano, mais longo e certeiro era o tiro.
-Sim, ainda tenho guardado os retalhos de seda que ele usava pra carregar os tiros. Segundo ele era a melhor bucha para um tiro certeiro.
-Bom quando os cães levantaram o animal pude ver que era um munaia dum javali. O navalheiro tinha presas tão grandes que cortou o rosto do Turco. O bicho tava tão brabo que soltava espuma das venta. Os cachorros prensaram ele numa pedreira. Soltei o tiro que tinha carregado pro ar. Era chumbo fino. Careguei um tiro caprixado. Soquei a pólvora com uma buxa de trapo de seda como o pai ensinou.Depois coloquei só um baletão e o empurei para o fundo com a vareta.O tiro que tinha dado pro ar atiçou mais ainda a cachorrada.


Levantei a moicana apontando pras paleta do navalheiro, puxei o cão e logo o gatilho.
O tiro ecoou nos morros. Logo o bicho se entregou. A espuma branca das ventas ficou de cor rosada. Foi o maior que já cacei.
O navalhero acertou o Turco do lado da cara, mas logo melhora.
-Bom, Edvino seus cães vão ser de grande serventia.
-Como assim, retrucou Edvino
-O velho stumpff também tinha um cão treinado por ele que o acompanhava durante as batalhas na guerra.Ele tem um jeito especial de lidar com cães.
E mais uma coisa estranha que vi. Hoje pelo amanhecer quando voltava com a o trem vi dois homens a cavalo descendo a coxilha do Passo Largo levando uma reis no laço.
Quando viram o trem se esconderam no meio das árvores.
-Passo Largo... Não é la as terras do velho coronel Sampaio?
-É sim. Mas o pai sempre dizia pra ficar longe da fazenda do Passo Largo. Porque lá...

domingo, 11 de julho de 2010

Capítulo VII

... - É por isso que não pegam o miserável do ladrão.
Nem ao menos uma pulguenta de uma raposa, francamente Doutor!
- É que na verdade...
- Me diga uma coisa, - disse Stumpff ao Bastião, não dando bola ao que o Doutor iria dizer -
onde fica a capunga?
- No...no...nos fundos...! - respondeu o italiano, gaguejando de susto.
Stumpff passou o gancho de seu guarda chuva pelo pescoço de Bastião e o puxou para perto:
- Eu acharia conveniente você arrumar uma pistola, pra furar os miolos
de qualquer pestilento que apareça!
- Si...sim senhor!
Stumpff proseguiu até a porta, fechou um dos olhos, deu uma olhada
nos fundos dos olhos de Bastião e:
Pétt...BUUUMMM...
Voaram cacos do copo que estava ao lado de Bastião.
Bastião não se mecheu, apenas ficou branco como a neve que caia lá fora.
- Meu caro, eu não gosto do rum do norte.
- To...to...tomarei providencias.

Stumpff deu a volta no armazém e foi até a capunga.
Lá, pegou seu bloco de anotações, molhou a ponta da pena na lingua e escreveu:

*Homem, bigode, canto armazém
*Cavalos, rua, armazém
*Copo, wiski San Pablo

- Hé hé hé - Stumpff deu risadinhas satânicas, que fizeram sua longa barba balançar -
ninguém toma wiski San Pablo, é muito ruim, e aquele não era o meu copo!

E circulou esta última anotação.
Quando estava guardando suas anotações, pegou uma folha em branco e escreveu:
*baú, 22, Bastião
*ensinar, pestilento, pegar, arma

Quando guardou suas anotações no bolso interno do seu terno verde escuro e já ia saindo,
ouviu conversa do lado de fora da capunga.

- Temos que nos apresar, as coisas estão ficando complicadas.
- Sim, vamos a casa do "vovô" esta noite dar um jeito.

Stumpff olhou por entre uma fresta, os dois homens que conversavam
estavam agora subindo em seus cavalos, deram uma guinada, e se foram,
levantando tufos de neve.

Stumpff pegou novamente suas anotações e escreveu:

*Homem, bigode, canto armazém = mesmo, lado, capunga
*Cavalo, rua, armazém = Homem, bigode, canto armazém, mesmo, lado, capunga
*Outro homem pestilento, descobrir, nome

Então Stumpff saiu da capunga, e foi direto para a pensão da Dona Leopoldina,
deixando o Doutor esperando dentro do armazém.

Na casa de Edvino, a situação estava um pouco complicada.
- Deixa eu voltar lá e estourar as tripas daquele miserável!
- Calma mamãe, ele vai nos ajudar, pode ficar tranquila.
- Hum, eu ainda abro um buraco naquele pançudo!
- Tá certo mamãe, mas agora está na hora de lavar os pés e dormir.
- Não se pode lavar os pés depois que escurece, dá doença de lumbago,
foi por isso que sua tia Fridolina morreu. Ela lavou os pés depois que voltou de um baile,
no outro dia tava dura que nem o puxa-puxa do Fritz.
- Boa noite mamãe, benção!
- Deus te abençõe meu filho...
E Oma Augusta subiu as escadas, subindo ao sótão.

- Essa velha louca ainda vai deixar todo mundo que nem ela.- disse Antenor.
- Ah guri, vem aqui - disse Edvino, tirando a cinta - eu vou te ensinar a não falar
assim de sua avó...
Pét BUUUMMM!

- Ah, não. Mamãe de novo! - disse Edvino, assim como Aldo também ouviu e
começou a chorar.

A família inteira correu para fechar as janelas e portas, enquanto
ouviam Oma Augusta socar seu trabuco, recaregando-o.

Toc, toc toc.
- Mamãe, abra a porta.
- Pode deixar meu filho, hi hi hi, este frango é meu...
Pét BUUUUMMM!

Foi quando ouviram:
- Calma, calma... sou eu...

Edvino conseguiu arombar a porta de Oma Augusta e tirar o trabuco da mão dela:
Foi com cautela que espiou pela janela e viu...