terça-feira, 13 de julho de 2010

Capítulo IX

... aconteciam coisas estranhas. A começar pelo próprio
Coronel Sampaio, que era conhecido pelas suas atitudes
estranhas. Tinha atitudes imediatas. Dizem que seus
empregados também são estranhos.
Como Stumpff pode observar naquela noite.

- Bom, obrigado Otto. Não quer entrar e tomar um chimarrão?
- Bom, eu estou com pressa, pois tenho que carregar de lenha e água a
locomotiva. Tenho uma viagem amanhã para a Cidade Grande. Mas para
não fazer disfeita, eu aceito um.
- Então vamos entrando...
Otto estava tirando sua bota para entrar, se equilibrando somente
na muleta, quando levou um tombo devido ao susto...
Pét BUUUUMMM...
Edvino olhou para Otto e com um sorriso disse:
- Temos visitas!
Viram então o velho Stumpff correndo para onde eles estavam, segurando
seu chapéu, com um baita furo de baletão na ponta, com uma das mãos e
com a outra seu guarda-chuva. Sua barba estava pendurada para tras de
seu ombro devido ao vento da corrida.
- Boa noite! Hé hé hé! Será que eu posso passar a noite aqui?
Acho que tem alguns fedorrentos, pestilentos atrás de mim.
- Claro Sr. Stumpff, pedirei para Paulina lhe arrumar um quarto.
Vamos estrando, estou fazendo um chimarrão agora!
Nisso escutaram Oma Augusta descendo as escadas e vindo no corredor
em direção a eles.
- Pode ficar tranquila mamãe...
Oma Augusta encostou o cano de seu trabuco no queixo de Stumpff e disse:
- Quem você pensa que é invadindo minha propriedade? Velho fedorento.
- O prazer é todo meu! - disse Stumpff dando uma piscadinha.
- Eu vou te ensinar a me respeitar velho sem vergonha...
Oma Augusta deu tamanho tapão na nuca de Stumpff que fez ele cair de joelhos.
E todos viram uma coisa sair rolando pelo chão, em direção ao fogão a lenha.
Nisso veio um filhotinho de gato, querendo brincar com a "bolinha". Stumpff teu um chute
no gatinho, que voou na parede e disse:
- Larga meu olho seu sarnento.
Stumpff pegou do chão seu olho de vidro, deu uma esfregada no terno
e recolocou-o no devido lugar.
- Velho caduco, hi hi hi hi...
Oma Augusta deu uma risadinha e se foi para o sótão.
Ninguém teve coragem de lhe dizer que agora ele estava vesgo.
- Um pestilento dos Coys me acertou com uma garrafa em uma conversinha que
tivemos, hé hé hé, e furou meu esquerdo!

Otto agradeceu o chimarrão e se foi, tomando cuidado com Oma Augusta.
Stumpff disse a Edvino que gostaria de dar uma volta pelos aredores da
Fazenda do Passo Largo, para "mode de ver o que se passa por lá a noite".
Edvino concordou prontamente, só pedindo que gostaria de ir "prevenido"
- Porque aqueles aredores sempre nos dão surpresas. - disse Edvino.
- Posso ir junto pai? - perguntou Antenor.
- Você vai ficar aqui em casa guri, ainda é muito novo! - respondeu Paulina por Edvino.
Edvino só deu um sorriso para Antenor e esfregou seus cabelos.
- Da proxima vez - cochichou Edvino.
Alvício fora arrumar os cavalos para ele, Edvino e o Sr. Stumpff.
Edvino havia pegado sua escopeta moicana, Antenor sua espingarda
e Stumpff recusara qualquer arma, disse que estava mais do que
prevenido.
E se foram pela estradinha escura banhada a luar.
Quando já estavam na coxilha do Passo Largo, deixaram seus cavalos
amarrados em um pé de goiaba e prosseguiram a pé.
Quando atravessaram um arroiozinho, Edvino e Antenor prepararam as armas,
- E o senhor? Não vai carregar a sua? - disse Antenor a Stumpff.
Antenor viu a lua brilhar em seu olho de vidro quando este olhou para ele.
- Pensa que sou amador como você muleque - disse Stumpff quase num susurro.
Antenor só abaixou a cabeça e terminou de carregar sua espingarda.
- Daqui pra frente - disse Edvino - são terras do Coronel Sampaio, então cuidado.
Nunca vim pra estes lados e não sei o que pode ter pela frente.
Nisso o vento parou e Stumpff deu sua risadinha satânica.
- Hé hé hé, mais conveniente para escutar passos inimigos, e vocês dois,
fiquem atras de mim e façam tudo o que eu disser.
- Tudo bem - disse Edvino dando uma olhada para Antenor.
- Me acompanhem...
Proseguiram por entre a mata chegando a um milharau.
PÓC...
Stumpff havia batido seu guarda-chuva na cabeça de Antenor.
- Abaixe esta cabeça muleque, quer que nos vejam?
- Mas só tem milho aqui!
PÓC...
E se abaixou.
Depois de algum tempo de caminhada no milharal, observaram que chegaram
em um pomar.
- Ótimo, a casa não deve ser muito longe - disse Edvino.
-Xíííííííí. Fiquem quietos.
- Por que? - perguntou Antenor
PÓC...
- Não estão sentindo cheiro de fumo? - cochichou Stumpff irritado.
- O que? - Antenor não entendia.
- Palheiro!
- Hum, é verdade!

- Vocês são amigos do Juca?
Todos gelaram a espinha.
- Vocês são amiguinhos do Juquinha? Eu sou amigo do Juquinha, hi hi hi...
- Quem é este louco - indagou Antenor.
PÓC...
- Ai, esta doeu!
Olharam para cima e os galhos de uma figueira enorme estavam se mechendo,
de repente pulou de lá um homem negro, de barba iregular, os dentes que lhe
sobravam eram de um amarelo intenso, ele mais balbuciava que falava.

- Identifique-se coiote - disse Stumpff lhe apontando uma arma menor que sua mão.
- Hi hi hi, eu gosto de brincar - disse o tal homem - Pum, Pum, Pum... - apontando
a mão em formato de arma para Stumpff.
- Identifique-se ou atiro, seu miserável.
- Meu nome é...

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