... deixaram cavalos e charrete nos lugares destinados e
caminharam juntos para dentro da estação.
Enquanto caminhavam no saguão, conversavam sobre os
últimos acontecimentos.
- Tu me acreditas guri que perdi mais cinco cabeças
mês passado? Ninguém sabe mais o que fazer! Já estão todos com medo!
- Doutor, do nosso, foi mais três no último mês.Mas a nossa
providência está chegando junto com o trem. - disse por entre um suspiro.
Ao que o Dr. Franz e Antenor estavam se referindo era o
sumiço de cabeças de gado de quase todas as fazendas da região,
sem deixar nenhum vestígio, aparente, de para onde o gado foi levado.
O Dr. Franz e Edvino Seer, haviam ficado sabendo, em um baile
na cidade grande, que havia uma pessoa, conhecida por resolver
"situações complicadas". Foi o prefeito de lá que lhes havia dito e
prometeu mandar a tal pessoa no próximo trem para lá.
Edvino, desde então, arumara mais três cachorros de caça para
deixar solto em casa, mas eles só queriam saber de brincar ,
pois ainda era filhotes, e dormia todo dia com sua espingarda ao lado da
cama, no caso da "percição", como ele havia explicado aos olhos miúdos
de desaprovação de Paulina.
Antenor continuou:
- Por esse motivo, vim aqui, para buscá-lo.- disse Antenor,
dando um sorrizinho torto e mostrando o pistola na cintura.
Honeide se escondeu atrás das pernas de seu tio e soltou um gemido.
Osvaldo deu uma risadinha de Honeide, e por isso levou um tapa na nuca do
Dr. Franz.
- É bom saber disso, isso é de interresse de todos daqui. Teremos
que explicar tudo o que aconteceu até agora para ele. - disse o Doutor.
- Sim, mas acho que o pai resolve isso. - rebateu Antenor.
Antenor era um guri guasca de 17 anos, conhecido por ser um pouco
rude nas respostas, o que sempre lhe ocasionava tapas na boca de sua mãe.
Com cara de quem não gostou muito, o Doutor pegou Honeide pela mão,
e caminhou em direção a plataforma, onde o trem já estava parando, saltando
um apito longo de final de viagem..
As portas foram se abrindo, e as pessoas descendo. Derepente, Osvaldo
sai correndo, antes que Honeide, em direção a locomotiva, que ainda
saltava longas bufadas de fumaça cinza. Otto, o rude maquinista, estava descendo
da locomotiva, e Osvaldo se atirou em sua direção, dando um forte abraço.
Com o pulo do guri, Otto deixou cair sua muleta, e se espatifou no chão com Osvaldo dando
risadas em cima dele.Para espanto de todos, Osvaldo gostava muito de Otto,
apesar de ele ser rude.
Antenor já ficava nervoso, pois ninguém havia aparecido para ele.
Foi então que a última pessoa desceu do trem. Para surpresa de
Antenor, foi...
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